terça-feira, 26 de maio de 2009

PALAVRA (EN)CANTADA



Dia 18 de março, após um cadastro de vídeo na Globo, resolvi ir ao cinema. Primeiro porque amo cinema e segundo,precisava relaxar após uma gravação que nos deixa tenso por acreditar que ali, de alguma forma, exista a possibilidade de finalmente os teus caminhos profissionais se abrirem. Sou ator. Mas não é dessa experiência que quero falar. Quero mesmo é falar de PALAVRA (EM)CANTADA. Que belo documentário da diretora Helena Solberg. Saí com vontade de devorar livros e ouvir música. E o resumo do site Estação Virtual (www.estacaovirtual.com.br) mostra em síntese exatamente o que é: “Em um país com uma forte cultura oral como o Brasil, a música popular pode ser a grande ponte para a poesia e a literatura.” Pra mim não fica apenas aí. Na verdade o documentário me tocou de muitas formas. A minha ignorância intelectual e literária e as incríveis imagens de um Rio de Janeiro de um morro sadio sem tráfico, com cenas de Cartola, tropicália, Caymmi são apenas temperos de uma embriaguez literária musical que nos proporciona os geniais da música e da palavra. É delicioso ver Adriana Calcanhotto, Antônio Cícero, Arnaldo Antunes, BNegão, Chico Buarque, Ferréz, Jorge Mautner, José Celso Martinez Correa, José Miguel Wisnik, Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), Lenine, Luiz Tatit, Maria Bethânia, Martinho da Vila, Paulo César Pinheiro, Tom Zé e Zélia Duncan falarem de poesia e música dando suas opiniões e citações. Gosto de tudo. Principalmente Lenine e Tom Zé, sem desmerecer os outros, lógico. Apenas porque os seus diálogos me fizeram sorrir.
Outro ponto que acho que foi bem válido foi a mistura musical da poesia sem preconceitos. Confesso que comecei a ver o rap e o funk de uma forma menos preconceituosa e mais artística. É como Lenine falou, num país de tantas misturas não há como inferiorizar uma vertente musical. Além de ver BNegão e principalmente o outro Rapper (que me desculpe o ato falho e ignorante não recordar o nome) falar de uma forma social tão forte e citar “porque não tem livro da cesta básica?”
Enfim, um banho de cultura.

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