segunda-feira, 15 de março de 2010

Que saudades da Amélia

Estive numa mesa de debate no teatro Sérgio Porto, no Humaitá, Rio de Janeiro, aliás meu primeiro bairro aqui nesta cidade maravilhosa! Que saudades que eu tenho da Amélia!!! A Amélia, ou melhor, dona Amélia, foi quem me abriu os braços e me acolheu nos meus dois primeiros anos. A priori com a forcinha do meu amigo e irmão Duda, seu filho, mas depois, ela acabou me acolhendo como um membro da família. Ocorreram muitas coisas hilárias. Dona Maria Amélia sofre de uma espécie de mal de Alzheimer. Digo uma espécie porque seu mal não está comprovado. Ela esquece coisas que acabou de dizer ou fazer, mas o passado está todo ali. Lembra com detalhes todos os acontecimentos de sua juventude, como a grande casa que morava em Botafogo e como sua mãe, uma bela italiana, não se contentava e vivia mudando. Gostava de contar também a sua bela história de amor. Conta com alegria e saudade como conheceu o Seu Manolo, essa figuraça que não tive a honra de conhecer pois partiu antes de minha chegada. Está no céu. Aliás desconfio que o que fez a Dona Amélia sofrer este mal foi a perda do marido. Contava os seus encontros para dançar no Clube Ginástico e da sua mãe mandar investigar quem era esse pobretão Manolo por quem ela se apaixonou e reprovar esse namoro. Contava com riqueza de detalhes o pomposo casamento. Ainda teve a história dos tempos do colegial. Quando sua amiguinha Bibi Ferreira queria estudar no mesmo colégio, Sion, e que as freiras negaram por ser filha de artista. Como ela falava, e ainda fala, isso com revolta! Aliás esse Sion, que existe até hoje, ela detestava. Gostava mesmo era do Santo Amaro que ainda a vi indo aos encontros com as freiras para tricotar. Ela dizia - Não tem mais as freiras do meu tempo. Todas já morreram - com uma voz de saudade.

Eu ouvi essas mesmas histórias tantas vezes que perdi as contas mas adorava a empolgação e satisfação dela ao contar os casos.

Sem dúvida estou a dever uma visita a ela, depois de mais de um ano sem ir lá, não por falta de vontade, mas de tempo mesmo. Também confesso que sinto um medinho de ela ter me esquecido.

Ai que saudades da Amélia! Obrigado pela acolhida!!

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